PROGRAMA BÁSICO DE DOUTRINA UMBANDISTA

(PBDU)

SESSÃO DE ESTUDO n. 02

                                                                                   

Revisão: Fevereiro/2008

 

UMA DAS TEORIAS DA CIÊNCIA PARA EXPLICAR O SURGIMENTO E EVOLUÇÃO DAS RELIGIÕES.

 

O Antropólogo Inglês Sir Edward B. Tylor, em sua obra: “Cultura Primitiva”, editado em 1871, desenvolveu a Teoria Animista.

Nessa sua teoria, ele relaciona o Deus Sol, a Divindade Lunar, o Trovão, a Montanha Sagrada, os Espíritos da Água, do Fogo, da Terra, do Ar, ...., como sendo os elementos iniciadores para a crença no sobrenatural; e essa crença foi desenvolvida no sentido de que os Fenômenos e Forças da Natureza, seriam capazes de intervir nos assuntos humanos, vindo a constituir o fundamento de todas as religiões.

Segue dizendo que o animismo é a primeira grande etapa da evolução do pensamento religioso, que depois se transforma no                    politeísmo (crença em vários deuses) até terminar no

monoteísmo (crença em um só deus).

Também ele informa em sua teoria, que a noção do conhecimento da alma vem das várias experiências que o corpo humano sofre em vida: do adormecimento, da doença, da morte, e principalmente dos sonhos, que levam a imaginar a existência de um “duplo” insubstancial do corpo, que pode atuar com independência e sobreviver ao corpo depois de sua morte, sendo que essa crença na existência da alma explica o culto aos mortos e aos antepassados.

Também ele explica que o ser humano fez analogia de si para com os animais e plantas, e começa a considerá-los também dotados de “alma”.

Mais ainda, que o ser humano, ao alcançar a concepção de que os espíritos são independentes, estes podem encarnar nos mais diversos objetos, e isso faz surgir o “fetichismo” e com ele o “culto à natureza”, o que faz o ser humano venerar um deus do rio, um deu do mar, um deus da árvore, um deus da cachoeira, etc..., e nesse estágio se alcança a etapa politeísta que é própria dos povos semi-civilizados, em que são cultuados as personificações das forças da natureza e das quais o ser humano depende para a sua prosperidade e até para a sobrevivência de si e do grupo à qual pertence.

E por fim, a transição para o monoteísmo pode produzir-se de vários modos, sendo que o mais simples deles é atribuir a supremacia à um dos deuses, diante do qual os outros acabam se curvando.

Outro modo mais bem elaborada, é quando surgem os profetas, eleitos ou os messias, que ditam as regras da doutrina a ser professada.    

 

CULTOS AFRICANOS EM SEUS PRIMÓRDIOS.

 

Na antiguidade, os africanos praticavam:  

1.          Feiticismo,
2.         Rituais Secretos das Sociedades das Máscaras, 
3.         Culto às Estatuetas dos Antepassados e,
4.         Culto aos Vasilhames-de-Guarda. 

1-Feiticismo:

A palavra “feitiço” tem origem nos portugueses, e designava os artefatos africanos, classificados como objetos sagrados receptadores de divindades.

(“Feitiche ou fetiche” é o mesmo que feitiço e tem origem nos franceses.

Bruxaria tem o mesmo significado.)                                                                                                  

Esse nome se estendeu, não só para as estatuetas, como também a todos os objetos adorados como ídolos e a todas as práticas de fazer o mal ou dar sorte, e a quaisquer coisa que representassem um acordo com entidades sobrenaturais, principalmente demoníacas; sendo o executor denominado de “feiticeiro”.

O objetivo do feitiçaria sempre foi de poder exprimir um contrapoder e dar outro destino ao rumo natural dos eventos e, que iniciava a partir do momento que a divindade recebia a oferta.

A feitiçaria sempre foi uma arma, não somente de defesa e apaziguamento, como de vingança de quem não pode contra quem pode, e de se conseguir o que em situação normal não se consegue.

OS FEITIÇOS SÃO ASSIM DIVIDIDOS:

 

a).Feitiço-Despacho ou “ebó”: É o embrulho, o cesto, o pacote, contendo vários ingredientes.

Geralmente é colocado nas encruzilhadas; mas, dependendo da finalidade, vários são os pontos de entrega. O “ebó” tanto pode ser preparado para o bem como para o mal. 

Existem os feitiços “mantucás (com escrementos), effifá (bonecos), xuxu-guruxu (enterrar), sendo os mais comuns entre tantos outros.

 

b).Feitiço-Divindade: É o objeto que, em invés de imagem ou figura, representa a divindade, pois nesse feitiço se admite a presença da divindade no objeto. 

Exemplos: Velas de côres representativas das divindades; espada = Ogum; flecha = Oxóssi; tridente = Exu; âncora = Yemanjá; cruz = Oxalá; machada cruzada = Xangô; ...

 

c).Feitiço-Amuleto: São peças ou materiais que, transformadas, são convertidas em talismãs e servindo para proteção individual ou de local.

Exemplos: fitas coloridas, colares, dentes, medalhas, perfume, santinhos, plantas, cruzes, sal grosso, pedras, figa, guizo, orações guardadas.

 

d).Feitiço-Alimento: É composto de comidas (e bebidas) feitas especialmente para as entidades que das comidas e bebidas vão se servir, e são depositadas em locais escolhidos, para alimento dos espíritos, que absorvem a essência ou fluídos da oferta, e estando satisfeitos, atendem os pedidos transmitidos pelo Feiticeiro.

Cada espírito tem sua comida e bebida favorita, inclusive o néctar extraído do sacrifício de animais que é, sem duvida, o sangue.

 

e).Feitiço-Transporte:

É o dirigido, à distância, aos alvos do encantamento e que transportam para junto da pessoa, o bem ou o mal. Tem várias modalidades, sendo os mais usuais:

e1- Se feito para o mal, contamina a vítima de males físicos, mentais e espirituais levando-a para as desgraças da vida como doenças, ruínas, loucura, desarmonias,  morte, ....

Exemplos de objetos de feitiço: Os bonecos “vodú” espetados, o “envultamento”, o “sacaranga”, o “fecha-caminho”, ... 

e2- Se feito para o bem de uma pessoa, mas com mal para outra: É a ação do Feiticeiro que promove a passagem da doença ou do mal de uma pessoa para outra, sem que esta última tenha o conhecimento antecipado ou isso permita.

e3- Se feito para o bem de uma pessoa, mas com mal para um animal: É a ação do Feiticeiro que promove a passagem da doença ou do mal de uma pessoa para um animal.

e4- Se feito para o bem de uma pessoa, mas com mal temporário para outra: É a ação do Feiticeiro que promove a passagem da doença ou do mal de uma pessoa para uma outra pessoa, só que esta última na qualidade de médium receptivo, o qual, em seguida, retira de si a doença ou o mal transferido.

e5- Se feito para o bem de uma pessoa, mas com o objetivo de transferir a doença ou o mal, e não se sabendo para quem, e ficando ao acaso, é transferir tudo para um “despacho” e colocá-lo em algum local e, quem (gente ou animal) nesse despacho tocar, contrai a doença ou o mal. Isso se chama “troca-de-cabeça”.  

 

f) Feitiços para saber qual é a doença física. Usando o corpo de uma vítima viva, ou de um animal, o Feiticeiro transfere a doença do doente e, faz a “autópsia” do corpo da vítima ou do animal, sendo que no órgão correspondente do imolado aparece a doença do outro.

g) Feitiços para a cura de doença física de um, usando o corpo de outro. O Feiticeiro transfere a doença para outro corpo e faz a “operação de cura”. Quando o corpo “operado” vem a melhorar, o doente também. Em caso do corpo “operado” morrer, o Feiticeiro usa outro e quantos corpos forem necessários para que o doente objeto sare.

Observação:

Apenas conhecer os nomes e saber identificar os “fuxicos” (feitiços) não é saber fazer, sendo que a feitura depende única e exclusivamente do Feiticeiro versado nas Artes da Magia.

 

2-Rituais Secretos das Sociedades das Máscaras.

As máscaras ou carrancas, eram confeccionadas de madeira e fibras vegetais, ornadas de conchas e pintadas de branco, negro, vermelho, azul e amarelo.

Eram símbolos supremos representativos do ancestralismo sagrado. Representavam entidades protetoras.

Espantavam os maus espíritos. Era ponto de encontro entre os poderes humanos e as forças da natureza.

“Dava um rosto” para a divindade. Era o local de moradia da divindade.

Também passou a representar a morada dos ancestrais falecidos.

Eram fincadas em mastros, que serviam para mostrar aos invasores quem eram os deuses que protegiam a tribo, e muitas vezes, para não atraírem para si a vingança do “deus”, os inimigos abandonavam a empreitada de invasão. 

 

3.O culto às Estatuetas dos Antepassados.                                    

As estatuetas dos antepassados eram figuras preparadas para alojar as almas dos antecessores parentais, pois os africanos acreditavam que sem isso, as almas permaneceriam desabrigadas ou angustiadas no espaço, e além do mais se tornariam maléficas.

Portanto, preparar para a alma de um parente falecido, em figura humana, principalmente na madeira, um recinto-sede, era tornar essas almas felizes, pois voltavam para a intimidade de seus familiares e dentro de suas comunidades, e nessa condição, eram cultuadas e recebiam oferendas.

 

4.O culto aos Vasilhames-de-Guarda.

Os vasilhames-de-guarda tinham a função de transformar seus portadores em um ser superior, por disporem à seu favor das forças sobrenaturais que conseguiam reter em recintos ou objetos próprios.

Os Feiticeiros acreditavam que podiam reter dentro de um vasilhame, através a ação da magia, não só das forças dos fenômenos (força do vento, da chuva, do raio, da tempestade, da velocidade da corredeira de um rio, ...), como também que podiam aprisionar e guardar a alma de um falecido, podendo ser até de um animal, cuja captura da alma tinha que ser efetuada no momento da morte.

Também era comum entre os Feiticeiros, que o mais temido de todos deles, era exatamente aquele que conseguia matar por feitiço o(s) feiticeiro(s) rival(is), sendo que o(s) feiticeiro(s) subjugado(s) e morto(s), se integrava(m) à força do Feiticeiro que o(s) tinha(m) vencido, e essa(s) força(s) que ficava(m) aprisionada(s) no vasilhame-de-guarda, era referência para o “status” de supremacia.

 

ORIGENS E MARCAS FEUDAIS DAS RELIGIÕES AFRICANAS.

Pesquisas fornecem dados que civilizações evoluídas avançaram para o Norte Africano desde o Egito e Mar Vermelho, pelo Pacífico com pontes em Madagascar, passando por Zambeze e Rodésia do Sul, indo em direção ao Território Centro Oeste Africano, e também para as orlas atlânticas através do Congo e Angola. Os incursores não eram negros; mas se estabeleceram e se misturaram aos africanos. A África também foi invadida pelos Islâmicos (oriundos do Oriente Médio), e pelo povo Berbere (oriundos do Mediterrâneo), acontecendo uma mistura de povos com assimilação de partes da cultura, religião e governo. Em virtude da mistura, na Antiguidade, na África, foi adotado como forma de governo, o amalgama econômico feudal.

O AMALGAMA ECONÔMICO FEUDAL AFRICANO.

Os Estados Africanos apresentavam Chefes Absolutos do Governo (Reis), Senhores da Vida e da Morte, e na figura do Rei estava implícito possuir poderes divinos, e os feiticeiros tribais agiam a serviço dos Reis.

O Rei encarnava a figura de Juiz, Pai, Executor dos Sacrifícios, Guerreiro, Cavaleiro, Senhor das Terras, Senhor das Florestas, Senhor dos Rios, Senhor das Colheitas, Senhor do Bronze, Senhor do Ferro, Senhor do Corpo, Senhor do Sangue, Senhor da Alma, Senhor das Vidas dos Vassalos e Senhor Universal dos bens de um vassalo.

 

O SURGIMENTO DOS DEUSES AFRICANOS.

A cultura do africano comum era restrita ao que deveria conhecer: plantar, caçar, criar animais, e executar tarefas domésticas.

Por causa dessa condição e as imposições pela forma de governo feudal, o figura do Rei, que era  humano,  veio não só a ser considerado deus, como também a ser cultuado como tal, culto esse que prosseguia após a sua morte; e também ao que o sucedia e sucessivamente, nascendo assim, o culto aos antepassados.

Os estrangeiros, invasores das terras africanas, já tinham levado os seus deuses, os quais eram identificados com as forças da natureza.

Dessa forma, os africanos formaram um culto religioso e na mistura das crenças, vieram a tomar corpo absoluto os deuses (ori = cabeça; xá = dono; ou, deus = “orixá” na língua africana), e os nomes dos Reis falecidos vieram a identificar mais de seiscentos orixás.

Prova disso, é repararmos que em todas as estórias (lendas contadas no candomblé) que se contam sobre os orixás, os personagens são humanos e reis coroados que depois se divinizam.

 

COMO SURGIRAM AS PECULIARIDADES DOS ORIXÁS.

As peculiaridades de cada orixá retratam o comportamento do Rei Feudal criador, pois não só podiam dar e tirar, como submetiam aos seus caprichos os mortais sem poder.

Alie-se o fato dos feiticeiros pagos pelo Rei Feudal, para que incutissem pelo medo e superstição nos vassalos, que o Rei era o Senhor de tal condição divina: Senhor dos Raios, Senhor do Fogo, ...,

 

SACRIFÍCIOS (E ATÉ DE HUMANOS) AOS REIS FEUDAIS.

Quando havia oposição, os africanos que não se submetiam como vassalos obedientes, eram oferecidos em  sacrifício humano ao Rei (ou deuses = “orixás”), como forma de intimidação aos demais, e isso agradava ao Rei Feudal, porque não havendo oposição ao seu reinado, este se perpetuava nas delícias do cargo.

 

FORMAS DE CUMPRIMENTO E AGRADO AOS REIS FEUDAIS AFRICANOS.

No antigo Daomé, era comum diante do Rei, os vassalos, num ato de respeito e submissão, executarem as seguintes saudações:

a)         O vassalo rolava pelo chão, ou se arrastava ou se cobria de terra. 

b)         O vassalo se dirigia aos quatro cantos da sala local e em cada canto tocava o chão com os dedos e depois tocava a testa ou peito.

c)         O vassalo se ajoelhava de frente para o Rei e lhe beijava mão.

d)         O vassalo se deitava de frente do Rei, de barriga para a terra e, oferecia as costas nuas.

e)         Lisonja, cantorias, e banquetes.

f)         Periodicamente, os vassalos pagavam tributo aos Reis.

Esses tributos eram partes das colheitas ou da criação de animais.

Os alimentos sustentavam o Rei Feudal e sua corte.

Também, nas festas de agradecimento pela boa sorte do que acontecia na tribo, estavam o oferecimento ao Rei, de animais machos (galos, bodes, carneiros,...).

Eram ofertados somente animais machos, porque esses não comprometiam a procriação e o   aumentativo dos rebanhos, preservando-se as fêmeas.

O sangue, que eram retirados desses animais machos e imolados em sacrifício, regava a terra em rituais com o sentido da fertilidade, e depois todos se banqueteavam da carne dos animais imolados, os quais eram assados em fogueiras, ou cozidos em partes, em grandes panelas.

Observação:

Era regra comum não serem oferecidas as fêmeas, pois estas deviam procriar, dar leites, e pôr ovos.  

 

O COMPORTAMENTO DOS VASSALOS PERANTE OS REIS FEUDAIS AFRICANOS.

a)         A submissão dos vassalos era total perante o Rei, já que este tinha poder infinito sobre todos, sendo sua vontade sem limites, todos sendo seus escravos e todos devendo olhar para ele como se olha para uma divindade.

b)         As vassalas que eram escolhidas para fazerem parte do séquito do Rei, ficavam reclusos por certo período, para aprenderem a se comportarem de acordo com todos os gostos do Rei deus (como amantes, esposas, cantoras, dançarinas, cozinheiras, companhias, jogos, ...,).

c)         Durante esse período de aprendizado e reclusão da sociedade nativa tribal, os cabelos de todas as partes dos corpos das vassalas eram raspados, bem como seus corpos eram banhados com óleos e ervas para tirar as influências da vida comum de antes.

d)         Também fazia parte do aprendizado, o conhecimento da linhagem real, os antepassados reais (Reis, Rainhas, Príncipes e Princesas), as identificações dos antepassados reais e suas dualidades como deuses (‘orixás”), e as formas de agrados principalmente em se tratando de oferendas por sacrifícios humanos ou de animais ou de alimentos, e de acordo com a preferência que se sabia ter o antepassado real convertido em deus = orixá.

e)         As vestimentas das vassalas do séquito eram diferenciadas das comuns, retratando a vontade do Rei ou as cores real, e seus adornos (enfeites de colares coloridos, penas coloridas, ossos, caurís ou fitas coloridas amarradas em quaisquer parte do corpo), representavam a posição de hierarquia dentro do séquito

f)         Alguns Reis mandavam gravar no corpo dos vassalos e vassalas, com o uso de ferro quente ou por cortes para ficarem cicatrizes, determinadas marcas identificando como propriedade real.

g)         Alguns Reis tinham à seu serviço até trezentas mulheres como concubinas ou esposas.

h)         O poder real e divino era tanto, que à exemplo dos egípcios que lhes legaram também essa cultura, com a morte do Rei deus = orixá, em suas tumbas subterrâneas, todo o seu séquito, serviçais, conselheiros, feiticeiros, sua guarda pessoal, bem como uma quantidade enorme de alimentos, erram encerrados junto em seus túmulos.

 

O FENÔMENO ORIXÁ NÃO INICIOU NA ÁFRICA.

Em que pese o culto às forças das natureza, as absorções dos povos africanos das culturas de outros povos, e a condição feudal de governo, que veio a gerar reis que se transformaram em deuses (orixás) e sendo cultuados, isso não quer dizer que o fenômeno Orixá tenha iniciado na África.

Entende-se que o orixá foi recriado na África, pois como já visto em “Principais Religiões da Humanidade”, tanto no Egito, Babilônia, Grécia, Roma, Assíria e outros, era existente o animismo e a crença nas forças da natureza.

Os ritos mitológicos greco-romanos chegaram à África com as correntes migratórias mediterrâneas e encontraram campo de incorporação idolátrica e passaram a servir aos chefes tribais, das mesma forma como os ritos grecos-romanos serviram aos reis e imperadores na velha Europa.

Como exemplo, um detalhe sobre o deus Dionísios, é que ele, na mitologia grega não era apenas o deus do vinho, mas também o “deus da vegetação, fecundação e germinação”.

 

HISTÓRIA DA CRIAÇÃO (GÊNESE), PELA MAIORIA DOS POVOS AFRICANOS.

 

Olorum, criou o Céu e Odudua  (a Terra). 

Uniram-se e geraram Yemanjá (as águas), e Aganju (a terra firme).

Yemanjá e Aganju se uniram, e geraram Orungá (o ar).

Ao crescer, Orungá apaixonou-se pela mãe, chegando ao extremo de raptá-la e estuprá-la, e na tentativa de fuga, Yemanjá caiu, morreu, e seu corpo cresceu de maneira espantosa, até o seu ventre se romper, de onde nasceram:

Oxalá – deus do ar;

Oxum – deusa das fontes e da beleza e deusa do rio de mesmo nome;

Oxossi – deus dos caçadores;

Xangô – deus do trovão;

Ogum – deus do ferro e da guerra;

Xampanã (ou Obaluayê) – deus da varíola;

Obá – deusa dos rios;

Oyá – deusa do Niger;

Oxumaré – a serpente;

Yansã – deusa dos ventos e da tempestade;

Omulú – deus das doenças;

Ajê-Xalunga – deus da saúde e da riqueza;

Dadá – deusa dos vegetais;

Okê – deus das montanhas;

Okô – deus da agricultura;

Olokum – deus do mar;

Oloxá – deusa dos lagos;

                        Orun – o Sol;

Oxu – a Lua;

Exu – o mensageiro.

 

Em outra lenda, Obá, Oxum e Yansã são esposas de Xangô.

E ainda, em uma outra lenda, Xangô, Odé, Oxóssi, Eua e Obá seriam filhos de Yemanjá com Oxalá.


Observação:
Esse informativo das lendas africanas, é apenas informação para conhecimento, não retratando realidade a ser absorvida pelo Umbandista que segue a Linha dos Fundadores da Religião de Umbanda = Caboclo Sete Encruzilhadas e médium Zélio Fernandino de Moraes.

 

OS NEGROS AFRICANOS SE TORNAM ESCRAVOS.

Vindos para o Brasil na condição de escravos, iniciando em 1536, os africanos das Nações Nagô, Bantu e Jeje, trouxeram para cá a sua religião animista, que consistiam de:

a)      No culto dos antepassados familiares e ancestrais;

b)      No culto das forças dos elementos da natureza, e através os orixás;

c)      No culto do feiticismo;

D)      No culto das Máscaras das Sociedades Secretas e,

e)      No culto onde aconteciam os sacrifícios humanos e ou de animais.

Nessa época da vinda dos escravos para o Brasil, na África, eram mais de seiscentos os orixás cultuados.

E no Brasil, devido os africanos terem perdido contato com suas nações, reis feudais, e feiticeiros das suas tribos (nações), os negros se esqueceram de mais de 500, e vieram a cultuar aproximadamente 100 orixás, sendo que na atualidade, com muito esforço, alguns sacerdotes do candomblé enumeram mais ou menos 60 orixás.

Entre os cativos estavam Reis, Príncipes, Princesas, Feiticeiros, e Alufás (sacerdotes muçulmanos de origem Malê) que tinham sido vencidos em guerras intertribais, feitos escravos, vendidos aos escravocratas portugueses e, finalmente vindo parar no Brasil.

 

Os negros foram espalhados para as regiões:      

Norte: cacau, gado, milho, mandioca, fumo, arroz, feijão.

Nordeste: cana e gado.

Sul: café e plantio de subsistência.

No Brasil de 1870, havia uma população escrava de aproximadamente oitocentos mil negros.

Na condição de escravos, o único direito que tinham é o de não terem direito à nada.


OS MOTIVOS PARA A ESCRAVIZAÇÃO DOS NEGROS AFRICANOS FORAM GERADOS E SUSTENTADOS PELO CATOLICISMO.

Em África, era conhecida a influência do cristianismo nas regiões assoladas pelos predadores de origem portuguesa, espanhola e latina.

Esses predadores, com origem religiosa no catolicismo, conjuntamente aos maometanos, também invasores das terras africanas, consideravam que todo africano feiticista era “infiel”, e como tal, deveria sofrer os tratamentos mais cruéis.

Sabedores das necessidades de mão de obra escrava nos países nascentes das Américas, aliaram seus propósitos religiosos ao ato simples do comércio da escravatura, e em nome dessa “infidelidade” justificavam as mortíferas expedições de aprisionamento e as escravizações sem quartel, a partir da Núbia, do Sudão, indo pelas ourelas mediterrâneas na direção de Roma ou das Ilhas Gregas.

Outros povos de nações africanas, também, ao guerrearem com seus vizinhos, na condição de vencidos, eram considerados escravos de quem os venceu em batalha; e portanto, deveriam ser  submissos; e o próprio africano vencedor da guerra, vendia seu irmão africano perdedor da guerra, para os mercadores/compradores de escravos.

Outro aspecto da sustentação da escravatura, por parte da “intelectualidade reinante na época”, era de que se seguia muito a “Escolástica de Aristóteles – filósofo grego”, cujas idéias de civilização eram as bases dos governos e do papado. Resumindo, suas idéias para povos considerados inferiores, incultos, incivilizados, vencidos, e sem condição de integração à civilização, deveriam ser submetidos à condição de escravos e sustentados pela nação superior.

 

OS NEGROS AFRICANOS,NA CONDIÇÃO DE ESCRAVOS, DEVIDO A PROIBIÇÃO  IMPOSTA PELA RELIGIÃO CATÓLICA, NÃO PODIAM PROFESSAR SEUS CULTOS.

Na fase colonial e inicial da escravatura no Brasil, os primeiros negros aqui aportados ainda conseguiam praticar os seus cultos conforme a nação de origem, bem como de, pela prática da tradição oral africana, passá-lo em sua forma quase que idêntica à origem.

Também, cônscios de suas situações de escravos, onde estivesse um negro que tivesse sido membro das sociedades secretas, um feiticeiro, um rei, um príncipe ou um entendido nos cultos, sempre haveria a possibilidade da transmissão oral dos conhecimentos, para posterior reinstalação dos cultos que estavam sendo silenciados pelo branco e religião dominadora, pois o Catolicismo oficial do país vem a proibir quaisquer manifestação de culto dos negros escravos, e as Missões Católicas tentam converter o negro ao catolicismo, mesmo que à força dos castigos do chicote e do pelourinho.

ORIGENS DOS NEGROS AFRICANOS QUE VIERAM PARA O BRASIL.

 

1)Do Sudão.

Os Sudaneses constituíam um Império Africano que se estendiam do Rio Nilo ao Rio Niger.

Nessa extensão, viviam os Povos:       
a) Iorubá e Nagôs, na região compreendida como Nigéria. 
b) Daomeanos e Jejes, na região compreendida como Daomé e, 
c) Fanti-Ashanti e Minas (Costa do Ouro e Mina).


Os Nagôs lidavam com orixás.

Os jejes lidavam com voduns (culto com semelhança ao candomblé).

A fusão dos dois cultos (jeje-mina) no Brasil resultou no Tambor-de-Mina, no Maranhão.

 

Os deuses – orixás dos Iorubás,

formados por ramos Egbá, Ilexa, Kêto, Óio, Eko, Ondo, Ife e Benin eram: Olorum, Xangô e Legbá (o Eixú); sendo que Olorum não se encontra representado por imagem, feitiço-divindade ou quaisquer outro sinal material, pois é o Criador, o Céu, uma potência que pelas suas grandezas, deixa de ter comunicação com os mortais.

 

Os deuses – orixás dos Jejes eram:

Mawu = Firmamento;                                                  

Sagbatã = Senhor da Terra e da Varíola;

Khebiosô = Senhor das Tempestades;                         

Legbá = Senhor das Maldades (Exu);

Dã = a serpente; e as  divindades menores:      Dso = o fogo;              

Loko = as plantas;       

Hopo = os gêmeos;      

Wu = o mar;                           

Bo e, Wuo.

Aizon = os locais de habitação;

Avrikiti = divindade marinha;

2)Islâmicos ou Muçulmanos.

Dominavam a região geográfica sudanesa setentrional ou, Sudão Oriental e, essa extensão era conhecida como Região do Guiné. Os Povos eram os Fulas, Mandingas, Haussás e Malês.

 

3)Bantos.

Dominavam a região meridional africana. Os Povos eram os do grupo Angola-Conguês.

Desses povos é que vem a identificação “Zambi” para uma divindade total em poderes.

Os deuses – orixás dos Bantos eram:

Gongobira; Matamba; Dandalunga; Quibucu; Lembarenganga e Samba.

Depois, com a fusão com outros povos, os mesmos passaram a ser: Oxóssi; Iansã; Iemanjá; Xangô; Oxalá e Oxum.

Observação: Os nomes Zambi, Ganga, Canga-Muissa e Ganga-Zumba, tem origem em generais negros no Quilombo dos Palmares. 

O Ritual de Macumba Banto: Consiste da prova do fogo a que o adepto é submetido, onde sobre a palma de sua mão esquerda é despejada, e queimada a pólvora em cruz, sem acontecer dano físico. Por questão do uso racional da inteligência, não se recomenda a auto-flagelação. Prova-se pelas Qualidades e Virtudes.

ACONTECE O SINCRETISMO.

Devido a proibição imposta pela catolicismo oficial e por força do branco dominador, os negros não podiam em hipótese alguma professar seus cultos.

De uma maneira inteligente e por força da necessidade, o negro viu-se forçado a disfarçar suas divindades cultuadas e, trocou-as por imagens de santos católicos.

Também, muitas vezes, os negros colocavam no interior da imagem oca, a representação da divindade que cultuava. Isso veio a gerar a expressão “santo do pau oco” devido o interior estar vazio. Dessa modalidade, o português/brasileiro também aproveitou, e no interior das imagens passou a contrabandear riquezas para fugir do fisco.

Assim, o negro se ajoelhava diante da imagem de São Jorge Guerreiro e rezava. Os católicos e brancos viam a cena e pensavam que o negro havia se convertido ao catolicismo; só que na mente do negro, os seus pensamentos de reza estavam todos voltados ao seu orixá africano.

 

O SINCRETISMO (EM SÃO PAULO):

 

DEUS:           Olorum em Nagô (Oló = longe e Orum = o Sol); e Zambi em Angola.

A TRINDADE:   Olorum (Deus),     Oxalá (Filho),   e           Ifá (Espírito Santo).

 

Orixás:                Santos Católicos:

1. Oxalá              Jesus Cristo                 

2. Oxum              N.S.Conceição

3. Oxóssi             São Sebastião               

4. Xangô              São Jerônimo        

5. Ogum               São Jorge

6. Obaluaiê           São Roque

7. Yemanjá            Nossa Senhora – Virgem Maria – Mãe de Jesus                                   

1. Oyá                Santa Madalena                     

2. Obá                Santa Luzia

3. Oxumaré           São João Batista

4. Iansã               Santa Bárbara

5. Egunitá             Joana Darc

6. Omulú              São Lázaro

7. Nanã               Santa Ana

 

Gêmeos Ibeje Cosme e Damião                     

Anifrequête           Santo Antonio               

Iofá                   São Benedito

Iorimá                 São Cipriano                 

Odé                   Santo Expedito              

Rôco                   São Francisco de Assis      

Oxalá Guiam          Menino Jesus                

Oxalufan              Jesus Velho

Xangô Caô             São João Batista
        Xangô Aganjú         São Pedro 
                    
              
(O curso segue com PBDU 03)

 
 
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